Precisamos mesmo da Black Friday?

Precisamos mesmo da Black Friday?

Aquela altura do ano chegou. O Halloween passou, e apesar de já começarmos a sentir as energias Natalícias, ainda temos um evento pela frente. Algo tão grandioso que é quase uma celebração oficial. Esta semana queremos falar-vos do fenómeno da Black Friday.

À primeira vista pode parecer um bom negócio, esperar pelo dia em que os preços são reduzidos de forma dramática, para fazermos as nossas compras. No entanto, é mais complexo do que parece.

Algumas lojas sobem os preços mais cedo, para que durante a Black Friday, possam vender ao preço normal, enquanto o fazem parecer um negócio incrível.

A verdade é que todos adoramos um bom negócio, mas é importante certificarmo-nos que não estamos a ser enganados. E o Marketing enganoso não é o único problema que podemos encontrar. O mais importante para as lojas é assegurarem que nós compramos sempre mais, e que ninguém sai com apenas um artigo. Isto significa que tudo é apresentado, e os anúncios são desenhados de forma a que compremos o mais possível. Muito mais do que queremos ou precisamos, porque quer queiramos quer não, somos muito mais suscetíveis ao Marketing do que pensamos.

Como sabem, consumir impulsiva e compulsivamente não é sustentável. Existem pessoas suficientes com dividas por bens que não precisam. Existe desperdício suficiente nos aterros a poluir o ar que respiramos. Existe sofrimento animal e humano suficiente, causado pela vontade constante de fabricar e comprar artigos novos rapidamente e a preços baixíssimos.

Portanto, como sobreviver à Black Friday inteira? Gostávamos de partilhar algumas dicas sobre como passar esta altura do ano sem perdermos o senso de nós próprios, e sem desperdiçarmos os nossos recursos.

Tenho a certeza de que este artigo não contribui para nenhum tipo de sofrimento, ou prejudicou ainda mais o estado do nosso planeta?

Quantas vezes me vejo a utilizá-lo?

Algo que ajuda verdadeiramente a perceber o nosso comportamento, é fazermos perguntas simples a nós próprios, de forma a recebermos respostas mais profundas:

Como é que me estou a sentir hoje?
Aconteceu algo entusiasmante?
Estou a sentir-me vulnerável?
Estou a sentir-me em controlo?
Sinto vergonha por algo?
Quão apaixonado por mim próprio estou hoje?
Quão magnifico me sinto?

Compreender a origem do nosso comportamento ajuda-nos a perceber se estamos a comprar por causa de um desejo ou necessidade real, ou se estamos apenas a tentar preencher um vazio dentro de nós que no fundo sabemos que nada que compremos o vai satisfazer.

A maioria das empresas está interessada no lucro. E sim, os governos deviam certificar-se que o lucro é o resultado de práticas éticas e sustentáveis, mas não o fazem. A boa notícia é que nós, os consumidores, somos os provedores de lucro! Nós podemos decidir comprar artigos de boa qualidade, que vão durar e satisfazer as nossas necessidades e desejos. Podemos dizer não a negócios que não são transparentes sobre a forma de produção, que foram acusados de usar trabalhos forçados, materiais tóxicos, e de abusar dos recursos Naturais. Quanto mais reduzido é o valor de um produto, mais reduzido foi o valor de produção. Nenhum bem material é grátis. Por isso, de forma a evitar tanto a irritação na pele, como o desastre financeiro, vamos investir em artigos que sejam bons para nós e para a Vida à nossa volta.

Tal pode significar termos menos bens materiais. Mas será isso pior? Ter menos bens contribui para um estilo de vida mais organizado e simples. Porque é que acham que o minimalismo se tornou tão popular? São cada vez mais as pessoas que se estão a aperceber que escolher qualidade em vez de quantidade, faz-nos sentir e parecer bem melhor.

Este ano vamos escolher o que nos traz alegria apesar do que outros podem dizer ou fazer. Não tenham medo de viver pelas vossas próprias regras. Se adoram aquele vestido vermelho, usem-no tanto quanto quiserem, sem se preocuparem com quantas pessoas já vos viram com ele. Se preferem usar roupa de homem apesar de se identificarem como uma mulher ou vice-versa não deixem que regras de género obsoletas vos parem. Apesar dos media, dos valores culturais, e do que os regulamentos baseados no medo que a nossa sociedade segue, nós podemos fazer o que quisermos e podemos ser indivíduos verdadeiramente e incrivelmente felizes com provavelmente menos de um terço do que possuímos.

Este ano estejam atentos ao marketing, e façam o que vos faz sentir bem porque juntos podemos realmente mudar o mundo, quebrar a roda do consumo, e criar uma sociedade onde todos podemos ser verdadeiramente iguais, livres e viver em fraternidade!

Tenham um dia incrível,

NAE

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